Cleber Araujo: “Sem saúde não tem como cuidar das pessoas”

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Nessa semana dois jovens moradores do Complexo do Alemão se suicidaram de forma ainda desconhecida dos fatos. Essas duas mortes – noticiadas nas redes sociais – abalou toda a favela, acendendo uma luz de alerta para uma causa alarmante e silenciosa: a depressão.

Por anos clamávamos por atenção na saúde e em partes fomos atendidos com as criações das Clínicas da Família, UPAs e CAPS dentro das favelas ou nas proximidades. Esses organismos públicos foram criados para serem um filtro com o intuito de prevenir doenças e ajudar a manter os hospitais apenas para atendimentos emergenciais e complexos, e isso estava sendo feito, mesmo de forma precária e deficiente. Os agentes de saúde visitam as residências para marcação de consultas, regularização das vacinas, orientações e tratamentos domiciliares para os idosos e os que têm dificuldades de locomoção, tudo muito bom.

O que veio a acontecer com os dois jovens aqui, nos faz refletir que algo precisa de atenção especial, e é a saúde de muitos que requer essa atenção. O aumento da violência, a falta de perspectiva futura, os altos níveis de pressão social e estresse, tem deixado a nossa saúde em frangalhos e debilitados. É justamente nessa hora que é necessário mais do que nunca a atenção psicossocial e física. Uma pessoa com poder aquisitivo pode ir a uma consulta no psicólogo, psiquiatra ou até mesmo em um psicanalista. Mas o pobre de favela tinha o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) mantidos pela gestão municipal que corre o sério risco de fechar a qualquer momento por falta de repasse de verbas. Há tempos os atendimentos haviam diminuídos e a crescente falta de medicamentos essenciais. Isso é muito grave.

Funcionárias de uma unidade de saúde protestam contra os cortes na saúde durante a reinauguração de uma vila olímpica, no Complexo do Alemão. (Foto: Renato Moura/Voz Das Comunidades)

Com o discurso de falta de verbas, a gestão municipal disse que vai cortar 30% dos atendimentos nas UPAS, funcionários das clínicas da Família estão sem receber salário e já não estão fazendo os atendimentos domiciliares também pela falta de insumos e estrutura, causando um caos na saúde familiar e com isso gera grande preocupação.

O lema do prefeito na campanha política de “Cuidar das pessoas” está sendo questionado caso venha se concretizar toda essa barbárie na rede municipal de saúde. Se não basta que toda Rede Estadual na gestão do governador Pezão está jogada as traças, hospitais de grande nome como o Getúlio Vargas, na Penha e o Hospital Geral de Bonsucesso, ambos aqui na zona norte do Rio que estão devastados por incompetência de gestão fraudulentas e corruptas, com tudo o que ainda restou aos que tanto carecem da atenção do poder público são as Clinicas da Família e as UPAs.

A Favela está doente e a morte desses dois jovens é um grito de socorro de muitos outros que estão na mesma situação que eles se encontravam, e precisam de atenção do Município e do Estado. Faço aqui um apelo aos gestores públicos que não virem as costas para o povo que tanto sofre já com tantas outras atrocidades do cotidiano dessa cidade da beleza e do caos.

Não podemos ficar calados ante a tantas perdas de direitos, vamos às ruas em protestos contra tudo isso, e fazer um apelo aos gestores públicos que mantenha a saúde funcionando, para o bem do povo. Não podemos ficar com a “boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar” não podemos. Vamos a luta.